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sexta-feira, 16 de julho de 2010

The Underground - Edinburgh



Como já dito antes, Edinburgh é uma cidade de grandes mistérios e uma história fascinante. Grande parte dessa história é contada através dos mistérios, nos muitos tours assustadores realizados na cidade velha (royal mille, lembram?).
Na minha primeira segunda feira aqui Gaia, Monika, Silvia, Iris e eu fizemos o "City of Dead". Tinhamos que estar no ponto de encontro às 9 da noite e às 9 da noite lá estavamos. Sob um leve chuvisco, tremendo de frio e esperando o resto do grupo. Quando já eramos um grupo demais ou menos 15 pessoas um homem todo vestido de preto (entre a Monika e a Silvia na foto) apareceu com cara de bravo e pediu que nós o acompanhassemos. Andamos até uma estátua e ele começou a contar a história de Edinburgh.
Por volta de 1500 a população de Edimburgo (por volta de 4 mil casas) ficou grande demais para a cidade, que era cercada por um gigantesco muro de pedra construído para proteger a cidade contra as invasões dos temidos *risadamaléfica* ingleses. Como ninguém pensou em destruir o muro e fazer as pazes com os ingleses alguém teve a ideia de começar a contruir casinhas em cima de casinhas. Ou seja, predinhos. Acontece que os predinhos foram ficando muito altos, mal construidos e expremidos e não tinham mais como construir pra cima. "E agora, o que faremos?" Perguntou um escocês de saia. Foi aí que um outro levantou a mão e sugeriu "vamos construir pra baixo!" E assim foi feito.         Como ainda não existia saneamento nem nada do tipo, todas as necessidades feitas por toda a população da cidade eram simplesmente jogadas no lixo, junto com restos de comida, animais mortos, resto de gente e tudo o mais o que você imaginar. No final de cada dia uma pessoa de cada casa colocava a cabeça pra fora da janela e berrava "garde-lou" e então jogava toda a caca janela a baixo. Imaginem todo mundo fazendo isso ao mesmo tempo. Eca. Vai ver era por isso que o nome antigo de Edimburgo era Aulderick (em gaélico, Auld- velho e Rick- Mal cheiro). Mas, voltando a história... Construiram as casinhas pra baixo, com tudo sendo jogado janela a baixo nos 6 andares acima... Conclusão? Não era uma boa ideia morar nos undergrounds, né? Por isso quem acabava indo parar lá eram os mais pobres, doentes, viúvas e criminosos fugitivos. Lugar legal pra se morar não?
Na primeira visita, city of dead, fomos em algumas "casas" subterraneas. Cada "casa" era apenas um quartinho, onde moravam cerca de 10 pessoas. Paredes de no máximo 2 metros de altura, um frio de doer os ossos, sem ar corrente, sem luz... E eles construiram até 6 andares subterraneos. Imagine morar a 12 metros de baixo da terra? O máximo que uma pessoa vivia depois de mudar pra lá, levando-se em conta um adulto saudável e bem alimentado, eram 2 anos (lembrando que a espectativa de vida na época era de 30 e poucos anos...). Sem contar com o grande indice de violencia e as ondas de doenças. Até que em 1700 veio a peste negra e matou todo mundo, basicamente. Foi isso que visitamos no segundo tour, Mary King's Close. Aliás, sugiro pra todo mundo que vier em Edimburgo visitar esse lugar. Perfeito.
Mary King's Close era uma rua comercial. Com casinhas tanto pra cima quanto pra baixo, moravam pessoas mais ricas ali... O legal é que podemos ver tudo mobiliado. Tanto uma casa "pra cima", exatamente a casa de Mary King, com todo o luxo que 1700 permitia ter, quanto uma casa "pra baixo" com toda a pobreza que se possa imaginar. Com a peste, e sem tratamento, as pessoas simplesmente eram deixadas em seus undergrounds para morrer. Quem não ficou doente fugiu do lugar, quem ficou morreu. Conclusão, Mary King's Close ficou abandonado por anos e anos. Quem teve coragem de voltar pra lá, mais de 20 anos depois do fim da peste, jurou ter sido visitado por fantasmas de mortos pela peste. Até hoje muitos paranormais visitam o lugar e alguns tem certeza de presenças e tal. Bem... Por experiencia própria posso contar o seguinte:
No city of dead só senti frio e um cheiro ruim, o que acho completamente normal quando se está de baixo da terra. Já em Mary King's... Como eu disse, algumas famílias lá eram mais ricas. Algumas, que viviam no primeiro ou segundo andar "pra baixo" tinham até 3 comodos. Uma dessas famílias tinha uma filha de 6 anos, Anne. A garotinha teve a peste, o resto da família não. Com medo de adoecer também os pais e os irmãos abandonaram Anne trancada no quarto até a menina morrer, provavelmente vários dias depois. Isso foi descoberto no começo de 1900, quando começaram as escavações no local e um paranormal visitou os quartos. O homem, japonês, disse ter visto a garotinha e falado com ela, que disse ter ficado sozinha depois de adoecer e de que as irmãs dela tinham levado todas as bonecas. Depois disso o cara comprou dezenas de brinquedos e mandou pra Anne, enfim. Acontece que nessa época não tinham nenhum documento ainda, só a história do cara. Alguns anos depois acharam documentos sobre quem morava onde e quem era quem em cada família... E não é que naquele lugar realmente morou uma família que fugiu da peste deixando a filhinha Anne, de 6 anos, pra trás? Entramos no cômodo antes de o guia nos contar a história. E assim que pisei dentro do quarto senti meu coração apertar, um frio muito grande e uma sensação de nó na garganta. Fiquei super impressionada depois que o guia contou a história, justamente por eu ter sentido algo antes. Tem gente que acha graça, tem gente que acredita. O que vocês acham?

domingo, 11 de julho de 2010

Desmembrando Edinburgh

Edimburgo é uma cidade fascinante! De tédio não se morre aqui. A desvantagem berrante é que tudo, absolutamente tudo, fecha no máximo às 6 da tarde. Tá, eu sei que isso não é tão anormal assim né? Acontece que aqui faz sol até 11 da noite poxa! E nós, pobres alunos da Kaplan, temos aula até as 3 da tarde. Aí, façam as contas, sair da escola as 3, almoçar, discutir onde vamos no dia... O que acontece? Exato. Não vamos em lugar nenhum.
E foi por isso que Gaia e eu fizemos um planejamento semanal com tudo detalhado e cronometrado ;p A intensão foi boa, juro. Mas ninguém comprou a ideia e continuamos perdidos com o tempo.
Acho que o grande desafio da primeira semana, junto com aprender a controlar o tempo, foi aprender a andar pela cidade. Nos primeiros dias era impossível virar a esquina sem ficar perdido. Tá, Edinburgh é uma cidade bem simples:
Princess Street
George Street
Queen's Street

Elas ficam assim, o dia todo, nessa ordem. Princess Street é a rua "mais badalada" daqui. Tudo que você quer tá lá. E é também nosso principal ponto de encontro "Ok então, as 8 em frente ao princess mall." O princess mall é uma porcaria, não vale nada a pena. Mas de shoppings falo depois...
George Street é a principal rua financeira, por assim dizer.  E a queen street é lotada de parques e de... Bem... Nossa escola. Nada mais simples que sair da escola e ir para a Princess street não é? Ledo engano! Demoramos três dias para aprender isso. Agora já chamamos o Starbucks de "nosso café" e a pizza hut e o john's palace de "nosso almoço" haha
Mas a parte dificil meeesmo foi aprender a lidar com a cidade velha.
Acontece que Edinburgh é cortada no meio e dividida entre cidade velha e cidade nova. Elas são ligadas por duas pontes e no meio de tudo tem o "princess street garden". E é na Royal Mille, principal rua da cidade velha, que está tudo o que é importante de se ver aqui. Sério. Se você só tem um dia em Edinburgh fique o dia todo na Royal Mille (não se preocupem, darei mais detalhes sobre ela depois ;p). Enfim, acontece que além de ser velha e linda, ela é estremamente complicada. Vai ver justamente por ser velha e linda, né?
Acabamos aprendendo só o básico e ainda hoje, no fim da segunda semana, nos perdemos o tempo todo. Nunca pensei que fosse dizer isso mas... Obrigada pelo mapa, Pauline!
E acho que esse post já ficou muito grande então vou parar ;p A noite posto a primeira semana, que era a intensão desse post, e já está escrita. Ou posto quando tiver 8 comentários ;p
Espero que tenha dado pra entender um pouquinho da cidade com essa minha confusão de ruas e perdidas...